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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

APÓSTOLO PAULO, O NÁUFRAGO EM MALTA



Introdução

At 24.5,6: “Temos achado que este homem é uma peste, e promotor de sedições entre todos os judeus, por todo o mundo; e o principal defensor da seita dos nazarenos; o qual intentou também profanar o templo; e nós o prendemos, e conforme a nossa lei o quisemos julgar”.

A primeira defesa de Paulo foi feita ao ter as mãos acorrentadas por ordem do comandante Claudio Lisias (At 23.26) enquanto era espancado pela multidão furiosa. O local de defesa foi na escada que permitia acesso do pátio externo dos gentios à fortaleza de Antônia, cuja torre dava vista para a área do Templo (At 22).

A segunda defesa de Paulo foi perante o Sinédrio (At 23). Nessa ocasião Paulo faz uma condenação profética a Ananias, filho de Nebedeu que exerceu funções de sumo sacerdote de 47-59 d.C. conhecido na historia por sua violência e crueldade. Atos 23.3 cumpre-se no ano de 66 d.C., quando o sumo sacerdote foi sacrificado pelo seu próprio povo (sicários), por dar apoio a Roma.

A terceira defesa de Paulo foi perante governador Felix em Cesaréia (At 24). Felix era um homem que nutria grande avareza. Seus convites para ouvir Paulo tinham na realidade um interesse material. O governador soube da expressiva oferta que Paulo havia entregue à igreja em Jerusalém e imaginou que poderia ter acesso a essa fonte vultuosa de recursos por meio de um possível suborno e, por isso, passou dois anos tentando a Paulo, porém sem êxito.

A quarta defesa de Paulo foi perante governador Festo (At 25). Festo escreve ao Rei Agripa com respeito a Paulo, apontando para as acusações dos judeus que não tinham provado ser ele culpado de pena de morte, como eles mesmos argumentavam.
 
A quinta defesa de Paulo foi perante o Rei Agripa (At 26). Festo outorgou ao rei Agripa a presidência dessa audiência em sinal de cortesia. Jesus, entretanto já havia previsto que muitos de seus apóstolos e discípulos seriam levados a presença de governadores, reis e pessoas influentes para testemunharem da fé cristã (Mc 10.18). Paulo cumpre essa predição diante de Félix, Festo, Agripa e finalmente César.


1. Navegando para a Itália
Nós escolhemos o destino da nossa viagem, mas não a maneira de chegarmos lá. Planejamos as coisas, mas não temos o poder de garantir sua execução. Muitas vezes, planejamos uma coisa e acontece outra. Fazemos planos, mas a resposta certa vem do Senhor. O desejo de Paulo era ir a Roma, mas ele chega a cidade de Roma preso, depois de um naufrágio, após perder tudo[1].
Em Atos 27 Lucas narra a viagem de Paulo da Palestina a Itália e sua recepção em Roma. A rejeição do evangelho pelos judeus em Roma e sua aceitação pelos gentios, leva ao clímax de todo o livro – a rejeição de Israel e a extensão da igreja gentílica, chegando aos confins da terra.


1.1 Ficou decidido ir a Itália (At 27.1,2)
A narrativa da viagem de Paulo começa com a terceira seção na primeira pessoa do plural. Última referência com o “nós” foi em 21.18, quando Paulo na companhia de Lucas, chegou a Jerusalém. Lucas acompanha Paulo com Aristarco de Tessalonica (At 19.29) que viera com o apóstolo de Tessalonica até Jerusalém. O centurião era responsável pela segurança de Paulo e de outros prisioneiros. Mesmo quando estamos fazendo a vontade de Deus e também a nossa, encontramos tempestades pela frente. O desejo de Paulo era ir a Roma e, dali, à Espanha.

 
1.2 Chegaram a Sidom (At 27.3)
Adramitio: Porto que se localizava no litoral oeste da província da Ásia, a sudeste de Trôade, a leste de Assôs.
O centurião Julio tratou Paulo com especial nobreza, dando-lhe liberdade de desembarcar enquanto o navio estava sendo descarregado e também de visitar seus amigos, que formavam a comunidade cristã daquela cidade, os quais cuidaram dele. (Confira no mapa ao lado a seqüência da viagem desde a prisão em Jerusalém até Sidom e Bons Portos).
 

1.3 Prosseguindo na viagem (vv. 4-8)

Os ventos dominantes de verão vinham do oeste ou noroeste, o navio navegou entre Chipre e o continente e não diretamente dentro do vento. Tornou-se necessário abandonar a costa e navegar através do mar aberto na direção oeste ao longo da Cilícia e Panfília. Em Mirra trocaram de navio, abandonaram o navio costeiro e tomaram um navio de transporte de cereais que navegava de Alexandria a Itália. A viagem de Mirra foi difícil por causa dos ventos noroestes. Chegam a Cnido e então navegaram a sudoeste de Creta por causa do vento contrário. Depois de navegarem penosamente pela costa, chegaram a um porto chamado Bons Portos. (Confira a seqüência descrita de Sidom a Bons Portos na ilha de Creta no mapa acima).
 
2. A navegação torna-se perigosa (At 27.9)
O Dia da Expiação (décimo dia do mês de etanim no calendário judaico) - Dia do perdão para os judeus, caía no final de setembro ou início de outubro. Os judeus projetavam o período seguro para navegação entre Pentecostes (maio e junho) ate a Festa dos Tabernáculos (décimo quarto dia do mês de etanim, no calendário judaico), cinco dias após o Dia da Expiação. Os romanos consideravam a navegação após o dia 15 de setembro perigosa, e após o dia 11 de novembro, suicida.

 
2.1 A primeira admoestação de Paulo (vv. 4-8)
Nas tempestades da vida precisamos estar atentos as placas de sinalização de Deus. Eles não ouviram o conselho de Paulo, e logo veio um tufão e tirou o navio da mão deles. A maioria dos acidentes são provocados por pessoas que transgridam as leis, não observando as placas de advertências à beira do caminho.

Dt 8.1: “Todos os mandamentos que hoje vos ordeno guardareis para os cumprir; para que vivais, e vos multipliqueis, e entreis, e possuais a terra que o SENHOR jurou a vossos pais”.

Js 23.6: “Esforçai-vos, pois, muito para guardardes e para fazerdes tudo quanto está escrito no livro da lei de Moisés; para que dele não vos aparteis, nem para a direita nem para a esquerda”.

Js 22.5: “Tão-somente tende cuidado de guardar com diligência o mandamento e a lei que Moisés, o servo do SENHOR, vos mandou: que ameis ao SENHOR vosso Deus, e andeis em todos os seus caminhos, e guardeis os seus mandamentos, e vos achegueis a ele, e o sirvais com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma”.


2.2 Quando se pensa ter alcançado o que se deseja (vv. 13-20)
Quem não escuta conselho, escuta “coitado”. Podemos ver cinco resultados colhidos dessa amarga desobediência a Paulo:
  • Aparente segurança: Começaram a viagem em um vento brando, aparentemente Paulo havia errado, mas o vento brando leva muitos a confundir as circunstâncias da vida.
  • O perigo: Depois do vento brando veio um tufão. O mar se revoltou. Sempre que deixamos de obedecer as sinalizações de Deus corremos grandes riscos de acidentes.
  • A impotência: Navio a deriva, o controle do leme perdido, fúria dos ventos tamanha que perderam o controle do navio.
  • O prejuízo: Para aliviar o navio jogaram seus bens fora para salvar suas vidas.
  • A desesperança: Perderam toda a esperança. A morte parecia certa.
2.3 A segunda admoestação de Paulo (vv. 21-26)
Já há muito sem comer por causa do enjôo e da oscilação do convés e das provisões que estavam encharcadas, Paulo oferece uma palavra de estimulo e começa com “eu não disse?” Ele anuncia que um anjo de Deus lhe aparecera e lhe assegurara que escaparia desse perigo para que comparecesse perante César e que seus companheiros também sobreviveriam.
 

3. O náufrago inevitável


3.1 Pressentindo o pior (vv. 27-30)
Era a décima quarta noite desde que partiram de Bons portos, estavam numa baía aberta para o mar e muito mau protegida, mas que socorria muitos náufragos. Adriático era o nome dado ao mar que cobria as costas da Itália, Malta, Creta e Grécia. Alguns marinheiros decidiram fugir do navio para a praia usando um pequeno barco em lugar de se arriscarem a bater contra as rochas. Paulo descobriu o plano deles e advertiu ao centurião e aos soldados e o plano deles foi frustrado quando os soldados cortaram as cordas que sustinham o barco. (Confira no mapa ao lado a sequência da viagem desde Bons Portos até a ilha de Malta).



3.2 Paulo anima a tribulação (vv. 31-38)
Paulo demonstrou que a fé em Deus proporciona coragem para enfrentar as mais difíceis situações, cumprir a vontade do Senhor e chegar em bom termo. Os judeus piedosos (e os discípulos do Senhor Jesus) tinham o costume de orar antes de qualquer refeição, numa demonstração de reconhecimento à bondade e generosidade de Deus.

Lc 9.16: “E tomando os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, abençoou-os, e partiu-os, e deu-os aos seus discípulos para os porem diante da multidão”.

Lc 24.30: “E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu-o, e lho deu”.

1 Tm 4.4-5: “Porque toda a criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças. Porque pela palavra de Deus e pela oração é santificada”.
 
3.3 O navio se perde e Paulo é poupado (vv. 39-44)
O navio colidiu contra um barco e encalhou. Os soldados logo pensaram em matar os presos, pois de acordo com a lei romana, se um preso fugisse a vida do guarda responsável deveria ser tomada em seu lugar. Foi nesta situação que todos chegaram à terra, no caso à ilha de Malta.


4. Paulo, o naufrago em Malta (At 28.1-15)



4.1 Paulo, um sinal entre os bárbaros (vv. 1-6)
4.2 Paulo e o evangelho em Malta (vv. 7-10)
4.3 A viagem continua (vv. 11-16)

Malta significa refúgio. Bárbaros não significa nenhum tipo de atitude selvagem ou cultura primitiva, mas simplesmente indica que sua língua (fenícia) não era o grego e nem o latim. Uma vez que chovia esses nativos trataram com singular humanidade acendendo um fogo para que os viajantes pudessem se aquecer. (Confira a seqüência da viagem desde Malta até Roma no mapa ao lado).


Conclusão
  • Nas tempestades da vida precisamos estar atentos as placas de sinalização de Deus (At 27.9-20).
  • Nas tempestades da vida precisamos olhar para Deus e não para as circunstâncias (At 27.21-44).
  • Nas tempestades da vida precisamos encorajar as pessoas (At 27.21-22). 
  • Na tempestade abandone o medo.
  • Na tempestade abra seus olhos para a intervenção de Deus.

Na tempestade precisamos lançar nossas ancoras:
  • Âncora da fé
  • Âncora da esperança
  • Âncora da oração
  • Âncora da certeza
 
“Os escritores bíblicos não inventaram suas próprias palavras, de acordo com as coisas que haviam aprendido, mas apenas expressaram as palavras que receberam" (John Owen).
 
 
“Deus concede-nos a dádiva gloriosa do hoje; vivamos na luz e plena alegria deste dia, usando os recursos que Deus nos provê" (John MacArthur).
 
 
“As estrelas podem ser vistas do fundo de um poço escuro, quando não podem ser discernidas do topo de um monte. Assim também, muitas coisas são aprendidas na adversidade” (Charles H. Spurgeon).

Fonte: http://portadesiao.blogspot.com.br/2011/03/licao-12-paulo-o-naufrago-em-malta.html