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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

APÓCRIFOS: SALMO 151 + CARTAS A JESUS + ORAÇÃO DE MANASSES





Os Livros apócrifos (grego: απόκρυφος; latim: apócryphus; português: oculto), também conhecidos como Livros Pseudo-canônicos, são os livros escritos por comunidades cristãs e pré-cristãs (ou seja, há livros apócrifos do Antigo Testamento) nos quais os pastores e a primeira comunidade cristã não reconheceram a Pessoa e os ensinamentos de Jesus Cristo e, portanto, não foram incluídos no cânon bíblico.

O termo "apócrifo" foi criado por Jerônimo, no quinto século, para designar basicamente antigos documentos judaicos escritos no período entre o último livro das escrituras judaicas, Malaquias e a vinda de Jesus Cristo. São livros que, segundo a religião em questão, não foram inspirados por Deus e que não fazem parte de nenhum cânon. São também considerados apócrifos os livros que não fazem parte do cânon da religião que se professa.

A consideração de um livro como apócrifo varia de acordo com a religião. Por exemplo, alguns livros considerados canônicos pelos católicos são considerados apócrifos pelos judeus e pelos evangélicos (protestantes). Alguns destes livros são os inclusos na Septuaginta por razões históricas ou religiosas.

Por exemplo: 




SALMO 151 

Este Salmo apócrifo encontra-se na antiga versão grega, bem como, com algumas variações, na versão siríaca. É possível que seu texto seja resultante da combinação de dois salmos apócrifos redigidos em hebraico reencontrados em Qumran. Nesta tradução, as variantes siríaca e de Qumran seguem indicadas em "itálico". 


1a - Salmo de Davi. Ação de graças de Davi após combater Golias: 

1b - Eu era o menor entre meus irmãos, o mais novo da casa de meu pai. Ao conduzir o rebanho de meu pai para o pasto, encontrei um leão e um urso: matei-os e despedacei-os. 

2a - Por minhas mãos construí uma flauta, meus dedos fizeram uma harpa. 

2b - Os montes nada testemunharam, as colinas nada proclamaram; entretanto, as árvores exaltaram as minhas palavras e o rebanho [exaltou] os meus feitos. 

3a - Quem anunciará a meu Senhor? 

3b - Quem proclamará, quem divulgará, quem anunciará os feitos do Senhor de todas as coisas? Deus viu, escutou e ouviu a tudo. 

4 - Ele enviou seu mensageiro para ungir-me, enviou Samuel para tornar-me grande. Ele me tirou do meio do rebanho de meu pai e ungiu-me com o seu óleo. 

5a - Meus irmãos eram belos e altos, mas o Senhor não os preferiu. 

5b - Ele me retirou de trás do rebanho, ungiu-me com o santo óleo, fez de mim o condutor de seu Povo, o rei dos filhos da sua aliança. 

6 - Enfrentei o filisteu, que amaldiçoou-me por seus ídolos. 

7 - Arranquei-lhe a espada, cortei-lhe a cabeça, e lavei a afronta aos filhos de Israel. 




CARTA DO REI ABGARO A JESUS 

Abgaro Ukkama [V] foi rei da cidade de Edessa (Síria) entre 4 aC e 7 dC, quando foi destronado por seu irmão Mahanu IV. Diz a lenda, que, por volta do ano 32 dC, sofrendo de terrível lepra, Abgaro teria escrito uma carta a Jesus pedindo para que Ele fosse até Edessa para curá-lo. Segundo alguns relatos, Jesus mandaria, mais tarde, o apóstolo Tadeu para efetivar a cura do rei. O texto, entretando, foi composto por volta do ano IV dC e logo traduzido para outros idiomas: siríaco, grego, armênio, copta, latim, árabe e eslavo. 

Abgaro Ukkama a Jesus, o Bom Médico que apareceu na terra de Jerusalem, saudações:

Escutei falar de Ti e de Tuas curas: que Tu não fazes uso de remédios nem raízes; que, por Tua palavra, abriste [os olhos] de um cego, fizeste o aleijado andar, limpaste o leproso, fizeste o surdo ouvir; que por Tua palavra tu [também] expulsaste espíritos daqueles que eram atormentados por demônios imundos; que, outra vez, Tu ressussitaste o morto [trazendo-o] para a vida. E, conhecendo as maravilhas que Tu fazes, concluí que [das duas uma]: ou Tu desceste do céu, ou mais: Tu és o Filho de Deus e por isso fizeste todas essas coisas. Por esse motivo escrevo para Ti, e rezo para que venhas até mim, que Te adoro, e cure toda a doença que carrego, de acordo com a fé que tenho em Ti. 

Também soube que os judeus murmuram contra Ti e Te perseguem; que buscam crucificar-Te e destruir-Te. Eu não possuo mais que uma pequena cidade, mas é bela e grande o suficiente para que nós dois vivamos em paz. 


RESPOSTA DE JESUS AO REI ABGARO 

Segundo a lenda, a carta escrita por Abgaro teria sido levada a Jesus por seu emissário, Hannan. Os relatos discordam se a resposta de Jesus teria sido passada verbalmente a Hannan ou se Ele próprio teria escrito. Seja como for, a carta resposta pertence à mesma época da redação da Carta de Abgaro, isto é, séc. IV dC. Tal como esta, a pretensa resposta de Jesus foi fartamente difundida, chegando a ser usada como escapulário por "cristãos" supersticiosos.

Feliz és tu que acreditaste em Mim não tendo Me visto, porque está escrito sobre Mim que 'aqueles que me verão não acreditarão em Mim, e aqueles que não me verão acreditarão em Mim'. Quanto ao que escreveste, que eu deveria ir até ti, devo cumprir todas as coisas para as quais fui enviado aqui; quando eu ascender outra vez para o Meu Pai que me enviou, e quando eu tiver ido ter com Ele, Eu te enviarei um dos meus discípulos, que curará todos os teus sofrimentos, e eu te darei saúde outra vez, e converterei todos os que estão contigo para a vida eterna. E tua cidade será abençoada para sempre, e os teus inimigos nunca a dominarão. 





ORAÇÃO DE MANASSÉS 

Esta oração encontra-se nas Bíblias gregas e eslavas, mas não faz parte do cânon católico, razão porque foi colocada - tardiamente - em separado, em apêndice, na Vulgata latina. 

A oração é certamente de origem judaica e imita os salmos penitenciais. O autor, desconhecido, utilizou-se do grego e escreveu a oração provavelmente entre os séculos II ou I aC, possivelmente no Egito. Existem antigas traduções também em siríaco, armênio e árabe. 

Tal oração teria sido pronunciada por ocasião da conversão do ímpio Manassés, o mesmo que é enfocado pelo segundo livro das Crônicas. Talvez por isso, a parte introdutória segue de perto 2Cron. 23,11-14. 


Alocução: 

1 - Ó Senhor onipotente, Deus de nossos pais, de Abraão, Isaac e Jacó, e de toda a sua descendência de justos; 

2 - Tu que criaste os céus e a terra, com tudo o que neles existe; 

3 - que acorrentaste o mar com a tua palavra forte, que confinaste o abismo, selando-o com teu Nome terrível e glorioso; 

4 - pelo qual se abalam todas as coisas, tremendo perante teu poder; 

5 - ninguém pode sustentar o esplendor da tua glória, e a tua ira contra os pecadores é insuportável, 

6 - embora sem medidas e sem limites é a tua misericórdia prometida;

7 - Tu és o Senhor das Alturas, de imensa compaixão, grande tolerância e gigantesca misericórdia; demonstras piedade com o sofrimento humano! Ó Senhor, conforme tua imensa bondade, prometeste penitência e perdão àqueles que pecaram contra Ti, e na clemência sem conta apontaste a penitência aos pecadores para que pudessem ser salvos. Confissão dos Pecados 

8 - Assim, Senhor, Deus dos justos, não apontaste penitência para os justos, para Abraão, Isaac e Jacó, que não pecaram contra Ti, mas apontaste penitência para mim, que sou pecador. 

9 - Os pecados que cometi são superiores aos grãos de areia do mar; minhas transgressões são múltiplas, ó Senhor: elas se multiplicaram! Não sou digno de levantar os olhos para os céus em razão da multidão de minhas iniqüidades. 

10 - Estou sobrecarregado com pesadas correntes de ferro; fui rejeitado em razão dos meus pecados, e não recebo consolo por ter provocado a tua ira e ter feito aquilo que é mau perante os teus olhos, realizando coisas abomináveis e multiplicando as ofensas. Pedido de Perdão 

11 - Agora eu dobro os joelhos do meu coração e imploro a tua amizade. 

12 - Eu pequei, Senhor! Eu pequei, e reconheço as minhas transgressões. 

13a - Ardentemente eu te imploro: perdoe-me, Senhor! Perdoe-me! Não destrua-me com as minhas transgressões! Não te zangues comigo para sempre, nem guardes o mal para mim! Não me condenes às profundezas da terra! Agradecimento 

13b - Tu és, Senhor, o Deus daqueles que se arrependem, 

14 - e em mim manifestarás a tua bondade; pois, miserável como sou, tu me salvarás por tua grande misericórdia, 

15 - e eu irei orar a Ti incessantemente por todos os dias da minha vida. Pois toda a milícia celeste proclamam a tua honra e tua é a glória para sempre. Amém.